Pela sua composição, à base de polímeros, as máscaras descartáveis são uma ameaça ambiental e não são também aquelas que mais protegem as pessoas em ambiente de contacto social. Falham na respirabilidade e não se adaptam à cara para evitar a entrada de ar não filtrado.
“As máscaras descartáveis são um problema e falhámos ao não passar esta mensagem aos consumidores”, diz do director-geral do CITEVE respondendo ao Jornal de Negócios. Numa mini-entrevista publicada na semana passada, António Braz Costa explica que “uma coisa é comprar e usar uma durante seis meses, outra é usar durante meio-dia e lançá-la ao lixo. As pessoas pensam que as máscaras cirúrgicas são melhores para proteger mais no contexto social, mas não são. São seguras, claro, mas não as mais adequadas”.
Por outro lado, assegura que “a ITV portuguesa é, no contexto internacional, a que está mais capacitada na área das máscaras comunitárias e dos dispositivos médicos. A capacidade ao nível da ciência, da tecnologia e dos materiais têxteis está muito concentrada na Europa, e Portugal tem a indústria completa, desde a fiação à confeção. Tem o cluster completo e integrado, com uma cooperação grande entre empresas”.
E esta é uma característica de contexto muito importante e que é única da nossa indústria têxtil, ao contrário dos outros países. “Os de Leste têm uma capacidade tecnológica inferior; os da Alemanha e da Bélgica não têm a indústria estruturada. O nosso sucesso resultou de uma capacidade que já estava instalada, apesar de não estar a ser explorada neste tipo de produtos”, sintetiza Braz Costa.
Segundo dados divulgados em novembro pelo Ministério do Ambiente, no âmbito da semana europeia de prevenção de resíduos, as máscaras descartáveis ameaçam criar um flagelo ambiental. Os números indicam que todos os meses são usadas e deitadas fora em Portugal 150 milhões de máscaras descartáveis.
Feitas de polipropileno (o mais leve de todos os termoplásticos), cada uma necessitará de 300 a 400 anos para se degradar. Ou seja, se apenas 1% destas 150 milhões de máscaras forem descartadas incorretamente para o chão, além do risco para a saúde pública, cerca de seis toneladas de plástico acabarão no solo, cursos de água e no mar.
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