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“É necessário aplicar a lógica dos têxteis-técnicos aos têxteis-lar, as pessoas ainda associam muito este sector a peças tradicionais”. A reflexão é de João Almeida, administrador da JF Almeida, empresa que tem em curso uma série de projectos com os centros de investigação CITEVE, CeNTI e Fibrenamics
O primeiro chama-se iHeatex e promete uma revolução nos têxteis de banho, com a introdução de fios condutores em peças de felpo. Toalhas que secam mais rápido – e que se mantém quentes – ou um inovador roupão, capaz de aquecer o corpo, são algumas das novidades que a empresa quer lançar no mercado já no próximo ano.

Com o projecto de inovação ainda em curso – começou em Janeiro de 2018 e termina no final deste ano – o roupão é para já a estrela da companhia e o resultado mais visível do catálogo de inovações que a JF Almeida tem em carteira. “É um processo que na realidade começou há dois anos e meio, quando criamos um grupo interno de I&D. Começamos a disparar ideias: que produtos gostaríamos de produzir? Para que mercados? E chegamos a esta ideia”, conta João Almeida.

A ideia, desenvolvida em parceria com o CITEVE e o CeNTI, consiste no desenvolvimento de uma nova geração de felpos. “As peças têm um sistema de aquecimento, através de fios condutores, inseridos na estrutura por tecelagem, e que funcionam como resistências”, resume Cristina Oliveira, responsável do CITEVE pela gestão técnica do projecto. Ao aquecer de forma instantânea e manter a temperatura estável, a peça promete garantir um maior conforto, não só para ser utilizado no dia-a-dia, mas até como um complemento na terapia de lesões.

Para isso, a tecnologia é também capaz de monitorizar a temperatura. “Imaginemos que o artigo ultrapassa os 40 graus, fica desativado porque já atingiu a temperatura ideal”, explica. No caso do roupão, a equipa de investigação criou até duas zonas autónomas, uma junto ao pescoço, e outra na lombar, com sensores autónomos. “É uma solução que nos permite intercalar a ativação, pode estar ligado num deles e desativado noutro, o que torna o gasto da bateria mais eficiente”, adianta a técnica do CITEVE.

A poucos meses do fim do projecto, o roupão já foi submetido a uma bateria de testes: ensaios de lavagem, ensaios de validação electrónica, ensaios de solidez dos tintos e da cor, consistência mecânica das estruturas, etc. Numa das fases foi testado num manequim térmico, que simula a transpiração e a temperatura do corpo humano, de forma a estimar a situação de conforto.

Para a JF Almeida, o objetivo é introduzir o roupão no mercado já no próximo ano. O primeiro protótipo foi apresentado pela primeira vez na Heimtextil, em Janeiro, e suscitou a curiosidade de muitos clientes. “As pessoas queriam conhecer, queriam tocar-lhe, faziam perguntas, mas o projecto ainda não estava terminado”, lembra o administrador da empresa.

Para a têxtil-lar, o iHeatex será um primeiro passo numa diversificação para uma nova frente: a saúde e o bem-estar. “Primeiro vamos apresentá-lo aos nossos clientes habituais. Depois vamos apresentar numa feira mais focada na área da saúde, porque este produto é pensado para SPA, clinicas de reabilitação, hospitais, etc.”, esclarece João Almeida, adiantando que a empresa tem em desenvolvimento mais dois projectos, um com o CITEVE e a Têxteis Penedo, e outro com a Fibrenamics da Universidade do Minho, ambos vocacionados para a mesma área.
O produto iHeatex
Desenvolvido pela JF Almeida, CeNTI e CITEVE
O que é? Uma nova tecnologia de felpos multifuncionais e inteligentes, com um sistema electrónico que permite o aquecimento e a regulação térmica das peças Para que serve? Para a produção de têxteis-lar inovadores, como toalhas que absorvem a humidade e secam mais e promover o bem-estar Estado do Projeto? Prototipagem e ensaios finais. Será lançado no mercado em Janeiro

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