“A necessidade faz o engenho”. A expressão traduz na perfeição o desígnio do Setor Têxtil e do Vestuário (STV) português. Capacidade inovadora e até de liderança em certos processos de transformação à escala global, são condições vitais para enfrentar com sucesso o seu próprio futuro.
A sustentabilidade é hoje reconhecida como ideia chave transversal a toda a atividade económica do setor, influenciando opções, estratégias, políticas e processos. Esta, alia-se agora a outros elementos já comumente aceites como fundamentais desde há décadas, como sejam a flexibilidade e adaptação às dinâmicas da procura, a rapidez de resposta às solicitações do mercado, e a aposta constante nas tecnologias mais recentes ao nível dos processos e materiais.
O alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) obriga o STV português a manter-se na linha da frente do desenvolvimento inovador com vista ao alcance de maior eficácia nos processos para a sustentabilidade.
É neste compromisso que surge o primeiro Relatório de Sustentabilidade do Setor Têxtil e do Vestuário nacional. Enquadrado no be@t – Bioeconomia na Têxtil (projeto PRR), foi desenvolvido pelo CITEVE com base numa amostra representativa de empresas do STV que empregam mais de 11,9 mil trabalhadores. Apresentado publicamente no dia 12 de dezembro, este relatório abrange os diferentes subsetores da cadeia de valor do STV, agregando várias tipologias de processos de empresas, que aceitaram o repto de partilhar os seus indicadores de performance a nível ambiental, social e de governance.
Apresentar um retrato quantitativo do setor em matéria de sustentabilidade, bem como destacar iniciativas implementadas para a promoção da sustentabilidade no STV em Portugal, e ainda servir de base para o acompanhamento da evolução nos próximos anos, são os propósitos fundamentais deste estudo. Reporta ao período dos últimos quatro anos (2019-2022), tendo prevista uma periodicidade anual.
O relatório apresenta uma abordagem ao papel da Bioeconomia no STV, reconhecido internacionalmente pela excelência dos seus produtos e materiais, e nos seus esforços de inovação e mudança de paradigma face aos novos desafios. Apresenta também uma caracterização do setor e suas certificações, apontando igualmente os principais projetos estruturantes e tópicos materiais mais relevantes para os diferentes stakeholders.
No Compromisso com o Planeta, reporta as práticas mais sustentáveis e conscientes no STV, com o objetivo de minimizar o impacte ambiental. Abrange diversos temas que refletem a responsabilidade ambiental da indústria, desde a fase de produção até aos produtos finais, alinhando-se com metas de sustentabilidade mais amplas.
A utilização de materiais mais sustentáveis é claramente uma tendência de evolução face aos dados de reporte, constatando-se que ao longo dos últimos quatro anos, as empresas têm vindo a integrar uma maior quantidade de materiais reciclados e biológicos nos seus produtos, fruto da crescente preocupação do setor em aumentar a sustentabilidade e circularidade dos seus produtos e materiais. Reduzir as emissões GEE é um objetivo fundamental para minimizar o impacte ambiental do STV.
No compromisso com os stakeholders, a indústria têxtil e do vestuário assume o envolvimento com as diferentes partes interessadas, desde colaboradores, fornecedores, entidades reguladoras, clientes e comunidades locais, nas estratégias de negócio e de sustentabilidade.
Na gestão do Capital Humano nas empresas, a saúde e segurança dos trabalhadores, a promoção da diversidade e inclusão, e o cumprimento de boas práticas ESG (Environment, Social and Governance), são essenciais para estabelecer relações responsáveis e éticas entre todas as partes interessadas envolvidas.
O STV assume o compromisso ético das organizações como um princípio orientador das decisões, processos e operações. Este compromisso reflete-se na integridade e ética dos negócios, na transparência em todas as práticas e no respeito pelos direitos humanos ao longo da cadeia de valor.
A procura por práticas éticas abrange desde a seleção criteriosa de fornecedores à promoção de um ambiente de trabalho seguro e justo. Essa abordagem estabelece o alicerce para operações comerciais mais sustentáveis e reforça a imagem de marca das empresas. Além disso, a gestão de uma cadeia de abastecimento sustentável foca-se na escolha de fornecedores comprometidos com práticas responsáveis.
O objetivo do relatório é bem claro e determinado. Trata-se de alavancar o desenvolvimento sustentável das empresas portuguesas do setor, oferecendo uma visão global da indústria e um conhecimento essencial para a definição e implementação de novas estratégias ESG, catapultando o STV nacional, como um setor consciente, capacitado e reconhecido por todos os stakeholders, em mercados nacionais e internacionais.
Paralelamente, e numa perspetiva win win, o projeto criou uma plataforma digital de business intellingence denominada be@t_Sustentabilidade, que disponibiliza um dashboard estruturado com vista a possibilitar a comparação direta dos KPIs de uma dada empresa com os respetivos valores médios do setor e seu subsetor. Assim, cada empresa contribui com os seus índices de sustentabilidade para reporte do setor e simultaneamente beneficia da análise comparativa quanto à sua própria posição relativa. Um verdadeiro sistema de benchmarking para a tomada de decisões pelas empresas com vista à definição e implementação de ações de melhoria. Em suma, um processo de autorreflexão que potencia o seu enriquecimento interno e aperfeiçoamento de processos.
Como considerações finais, foi focado o agravamento das alterações climáticas como acelerador da transformação do STV, rumo à descarbonização da indústria e à preservação dos recursos naturais. Definitivamente, as tendências atuais e futuras focam-se, assim, no desenvolvimento sustentável procurando mobilizar esforços à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns.
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