Quando explicado, o mais recente projecto do CITEVE para a área militar traz à memória a ideia do manto de invisibilidade tão explorada na ficção científica ou nos livros de feiticeiros. O ACAMS II tem também como meta criar um sistema de vestuário que eleva a camuflagem militar a um novo standard, adaptando-se a diferentes ambientes e tornando os soldados praticamente invisíveis num contexto de conflito.
Para isso, o centro de investigação e inovação está a testar várias tecnologias, como pigmentos termo-cromáticos ou até matrizes com luzes LED que se adaptam ao meio ambiente. Realizado no âmbito da Ação Preparatória da Agência Europeia da Defesa, o projeto conta com a participação de entidades de seis países: Portugal, Suécia, Alemanha, Lituânia, Holanda e França, que juntam conhecimentos para chegar a uma nova geração de camuflados. Em Portugal, o desenvolvimento do ACAMS II conta com a participação do CITEVE – em coordenação com o CeNTI – e da empresa têxtil Damel, responsável pela confecção final das peças.
O projecto surge no seguimento do ACAMS I, uma investigação concluída pelo CITEVE em 2015, que ao longo de 12 meses estudou a viabilidade de novas tecnologias para camuflagem adaptativa. Agora, alguns desses conceitos são testados na prática, com o consórcio a analisar várias tecnologias, de forma a apurar qual a mais eficiente em tornar os militares invisíveis, mesmo em ação. “Temos diferentes soluções que se adaptam, o mais possível aos diferentes ambientes. Na investigação são tidos em conta uma série de parâmetros, como a cor, o padrão ou a forma do corpo.
Procuramos dissimular a delineação dos ombros ou a simetria do corpo, por exemplo”, explica Gilda Santos, responsável do CITEVE pelo projeto. Entre as soluções que já estão a ser testadas encontram-se os têxteis com pigmentos termo-cromáticos ou a incorporação de matrizes de LEDS. Na primeira, os materiais adaptam-se à temperatura e luz do ambiente, permitindo reduzir o contraste e tornar o disfarce mais eficiente, na segunda, as matrizes de LEDS são capazes de imitar as cores e os padrões dominantes do meio-ambiente. Ambas já foram experimentadas por militares do Exército Português, que também colabora no projeto fornecendo operacionais para os testes em ambiente real.
A investigação tem ainda cerca de um ano pela frente até apresentar os resultados finais, mas há já um conjunto de indicadores que estão a ser verificados. As provas de conceito, como testes ergonómicos e de conforto, já foram realizadas. “O grande desafio é conjugar o maior nível de dissimulação com a maior liberdade de movimentos nos diferentes teatros de operações”, explica Gilda Santos. O sistema vai ainda abordar a proteção dos soldados em várias gamas de comprimento de onda, como visual, NIR, MWIR, LWIR, ou radar.
No fim, com a participação da portuguesa Damel, empresa especializada na confecção de vestuário técnico, o ACAMS II vai apresentar um novo sistema de camuflagem, composto em princípio por duas peças – uma para as pernas e outra para o tronco e cabeça – criando um protótipo que poderá ser utilizado por forças militares internacionais.
O produto
ACAMS II - Adaptive Camouflage for the Soldier
Consórcio europeu que envolve sete entidades: CITEVE e Damel (Portugal), FOI (Suécia), Fraunhofer IOSB (Alemanha), FTMC (Lituânia), TNO (Holanda) e Safran (França).
O que é? Um projecto internacional que está a desenvolver novas soluções de camuflagem adaptativa para utilização em conflito militar Para que serve? Para a protecção dos operacionais em diferentes contextos e ambientes Estado do projeto? Estão a ser realizadas provas de conceito, como testes ergonómicos e de conforto, com a colaboração de operacionais do Exército Português Duração do Projecto De maio de 2018 a outubro de 2021
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