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Portugal tem tudo. Tem know how, maquinaria, empresas, gente com formação, e beneficia ainda de ter uma indústria praticamente vertical. Tobias Gröber esteve no iTechStyle Summit e não tem dúvidas de que a ITV portuguesa tem tudo para se afirmar. O problema é conseguir dar resposta ao aumento da procura.
Tendo em vista as competências ao nível dos têxteis técnicos e da sustentabilidade, como olha para a ITV portuguesa no contexto internacional?
Este é um momento histórico para esta indústria em todo o mundo. Portugal beneficia do facto de ter uma indústria praticamente vertical e, por isso, esta é uma oportunidade única para se afirmar na Europa como grande produtor. Porque Portugal tem know how e qualidade, e do que eu tenho conversado com os nossos clientes portugueses há aqui um trabalho muito honesto de cumprimento das normas de sustentabilidade. Aliás, a sustentabilidade está no centro dos modelos de negócios das empresas portuguesas: desde a criação de produtos sustentáveis, até aos processos de menor consumo de água ou energia, etc. Penso que estamos a caminhar globalmente para uma diminuição do consumo de fast fashion e para uma aposta em produtos de qualidade e o problema de Portugal vai ser conseguir dar resposta ao aumento da procura.

Há também uma percepção de que Portugal é um bom fornecedor, mas que faltam ainda algumas ferramentas de marketing, o que se reflete na dificuldade de afirmar internacionalmente marcas portuguesas…
Sim, isso é um facto, mas penso que está a melhorar muitos nos últimos anos. Penso que os empresários portugueses se devem apoiar em melhores planos de comunicação, uma estratégia bem clara, e uma maior coordenação que faça com que o bolo seja maior para todos e não ande cada um a tentar afirmar a sua fatia.
Não há dúvidas de que algumas empresas portuguesas têm uma enorme capacidade para criar grandes marcas internacionais. Mas a pergunta é: que valores são os da marca? Qual é a sua visão? Hoje as marcas já não se podem prender a produtos, a perspetiva tem de ser muito mais ampla, global e ambiciosa.
“Este é o momento de ouro para Portugal”
Um momento histórico Portugal beneficia do facto de ter uma indústria praticamente vertical.
Em última instância, os clientes têm de perceber quais os valores da marca e de que forma podem contribuir para eles.

A propósito da próxima edição da ISPO, quais são as novidades?
A grande novidade são as novas datas. Se há uns 20, 10 ou até 3 anos atrás me tivesse perguntado se algum dia a feira se iria realizar em Novembro eu diria claramente que não. Mas o mundo está a mudar e as cadeias de fornecimento estão também a alterar-se e essa é para a organização da ISPO a mudança mais significativa.

E quais são as razões concretas para a mudança?
Uma feira de tendências em geral tem de estar alinhada com os deadline da área da inovação e o que é facto é que foram lançados no mercado recentemente novos produtos, muita inovação, muitos detalhes interessantes e é por isso tomamos a decisão de realizar a feira em Novembro.
Mas para além da mudança de datas, nós também introduzimos algo que já queríamos ter introduzido há muito tempo mas que só agora fez sentido: as marcas passam a ter um espaço máximo de exposição, ou seja, já não podem ter um número abismal de metros quadrados disponíveis para exibir a sua coleção. 

E porquê? 

Porque defendemos que o tempo de mostrar todos os produtos acabou. O atual desafio das marcas é diferenciarem-se pelos seus valores, pela sua singularidade. Querem continuar a mostrar a coleção inteira? Ou querem mostrar dois ou três produtos que realmente os tornem únicos e especiais no mercado global?
Por exemplo: eu sou uma marca de sky, há centenas de marcas de sky a expor na ISPO, o que me diferencia,o que defendo? São essas as perguntas que as marcas tem de fazer hoje e que estão alinhadas com uma diminuição generalizada do consumo que está a acontecer e que se vai agravar.
“Este é o momento de ouro para Portugal”
Qual é o futuro? A aproximação dos canais de fornecimento é inquestionável.
Menos e melhor, é essa a proposta.

Uma orientação que, associada às consequências da pandemia, fará com que a ISPO tenda a ser uma feira mais europeia e menos mundial?
Sim, talvez. A realidade é que antigamente tínhamos uma grande parte dos nossos expositores vindos do mercado asiático e dos Estados Unidos, sobretudo de Las Vegas. Creio que em relação aos EUA será fácil e não sentiremos grande diferença, mas em relação à Ásia, nomeadamente à China que se pensa que possa manter-se fechada até ao final deste ano, é bastante evidente que não estarão connosco nem expositores nem compradores.
Por isso é que que digo que a ISPO é o sweet spot de Portugal. Agora mais do que nunca precisamos da sua presença e que as suas empresas possam mostrar o que são capazes de fazer.

O futuro é o abastecimento de proximidade?
A aproximação dos canais de fornecimento é inquestionável. A pergunta é se vão fixar-se na Turquia, em Marrocos, em Portugal ou noutro sítio qualquer? Portugal tem tudo: know how, maquinaria, empresas, colaboradores formados, etc. É o momento de ouro. É tempo dos portugueses fazerem erguer a sua bandeira bem alto e dizerem algo como: “estamos cá, somos sustentáveis, pertencemos à União Europeia, cumprimos todos requisitos legais, temos qualidade e podemos ajudar”.

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