Sustentabilidade é a palavra chave, o alfa e o ómega nas tendências de moda, não só para os têxteis-lar mas também para todo o setor. “É a sustentabilidade, estúpido!”, como diria James Carville, o estratego que elegeu Bill Clinton presidente dos Estados Unidos. Terra só há uma, temos de a cuidar com carinho - e parar de abusar dela. O que está a dar é ser verde, amigo do ambiente, economizar nos recursos, exaltar a harmoniosa relação do Homem com a Natureza e ser hábil na integração do virtual no real
Sustentabilidade é a palavra de ordem nos têxteis-lar para 2017 - e muito provavelmente também nos anos seguintes. Não há ninguém neste importante segmento da têxtil que não valorize, de uma forma mais ou menos enfatizada, essa ideia - que passa pelo fabrico de artigos eco-friendly, atravessa a reciclagem, os produtos naturais (lã e algodão), as fibras amigas do ambiente, e contempla ainda a redução dos gastos energéticos e do consumo de água na produção industrial.
Dolores Gouveia, consultora de tendências, design e marketing de moda, lembra que “o importante mercado nórdico foi o pioneiro da sustentabilidade - e hoje já é uma exigência para todos”. Todos, neste caso, significa não só os fabricantes de têxteis-lar portugueses, mas também toda a ITV.
“Todo o têxtil começa a ter como palavra de ordem a sustentabilidade. No entanto, acho que no vestuário estão a ser dados mais passos”, precisa Dolores Gouveia que, a convite da Associação Selectiva Moda, é responsável pelo Fórum dos Produtos Portugueses na mais importante feira europeia de têxteis-lar – a Heimtextil, que decorreu em Frankfurt, entre 10 e 13 de Janeiro, e na qual estiveram representadas mais de 70 empresas portuguesas.
Esta especialista em tendências enfatiza a importância dos têxteis, designadamente os do lar, privilegiarem nos seus produtos “as relações entre o homem e a natureza e a convergência entre o espaço urbano e o natural”. No fundo, diz, é necessário “fazer coisas anti-stress, mais calmas, mais silenciosas, de cores e materiais que tenham uma maior ligação à Terra”.
Administradora da Mundotêxtil, Ana Vaz Pinheiro dá ainda mais lastro à ideia da sustentabilidade. “Essa é a nossa aposta comercial nos produtos - toalhas, roupões e outros artigos para casa de banho) que vamos ter na Heimtextil e que são feitos com algodão orgânico e fibras de origem natural, todas eco-friendly”, diz.
Isabel Antunes, Administradora Lasa
“Só usamos fios biológicos nos nossos produtos. A tendência é ter artigos mais naturais...”
E explica que essa aposta não é apenas uma questão de tendências ou moda, mas sim, sobretudo, “é uma exigência dos nossos clientes e consumidores”. “Eles querem isso”, enfatiza.
Há mesmo quem exija que o algodão utilizado nos artigos de lar tenha um certificado de que foi cultivado tendo em consideração os parâmetros da agricultura biológica. E há também quem peça artigos em lã orgânica ou em eco-lã.
Obviamente as apostas da Mundotêxtil em Frankfurt passam também por “novos produtos, novas cores e novas estruturas”. “Na mesma feira, o ano passado apresentamos a toalha Candy, que é a toalha mais leve do mundo, com uma gramagem baixa e um toque macio”, recorda.
Rui Azevedo, responsável pela imagem e comunicação da MoreTextile, ergue mais um pilar no edifício da sustentabilidade. “Focado em criar o melhor, em desenvolver tecidos confortáveis, de alta qualidade e respeitando a natureza, o grupo aposta e surpreendeu com um novo produto – o Eco Heather – que alia a excelência à sustentabilidade”.
O Eco Heather é produzido a partir da reciclagem dos desperdícios da fiação do grupo. Ao reciclar é obtida uma mistura de várias fibras utilizadas na produção standard, e através de um processo industrial eficiente é produzido um novo fio que permite a criação de tecidos resistentes, com durabilidade e textura suave.
A Lasa já há muito que tem uma matéria-prima natural para o fabrico dos seus artigos para a casa de banho e roupa de cama. “Só utilizamos fios biológicos nos nossos produtos”, adianta a administradora Isabel Antunes. Daí que na Heimtextil as apostas sejam sobretudo ao nível de “novos conceitos em termos visuais”, diz Carina Ferreira, uma das designers da empresa. A tendência, acrescenta Isabel Antunes, “é ter artigos mais naturais”. “Entre outros, abordamos o branco na sua plenitude numa tentativa de extrair de toda a sua luz as mais diversas formas e texturas”, acrescenta.
Ana Vaz Pinheiro, Administradora da Mundotêxtil
“Apostamos em produtos feitos com algodão orgânico e fibras de origem natural, todas eco-friendly.”
Outro dos temas que a Lasa levou para Frankfurt nos seus artigos intitula-se Mineral Blue. “Este tem como inspiração base os minerais, como os mármores, as ondas do mar o gelo, os cristais e pedras de uma forma geral”.
Os temas escolhidos pela Lasa remeteram de novo para as novas tendências de que falava Dolores Gouveia: a relação entre o Homem e a Natureza; e a forma como o real e o virtual são integrados.
Agostinho Afonso, administrador da Têxteis Penedo, tem “uma aposta forte nas áreas da cama, mesa e decoração. Sobre as novas tendências remete para “uma coleção luxuosa com uma oferta completa para a decoração da casa, destacando-se o requinte do jacquard”.
“Hoje, os têxteis-lar, que sempre foram importantes no universo do têxtil português, deixaram de ser um mero produto. Além da qualidade que já oferecíamos, passamos a ser mais criativos, com artigos em que o design é muito valorizado”, diz a também responsável pelo Fórum dos Produtos Portugueses. E considera mesmo que nos têxteis-lar, tanto em termos criativos como na qualidade, estamos em linha com “ingleses, franceses e italianos”. Prova disso são os artigos selecionados para o Fórum.
Dolores Gouveia recebeu mais de 150 produtos, que foram organizados por temas. “Todas as empresas trabalharam muito o conceito de convergência de culturas. O lado étnico, modernizado e com uma linguagem mais gráfica”, resume. Além do algodão orgânico, em termos de matérias-primas “sobressaem produtos com brilho através da inserção de viscose”.
“Quanto às estruturas e efeitos texturados, destacam-se os ninhos de abelha”. É assim que os têxteis-lar portugueses querem conquistar o mundo, a partir da Heimtextil, em Frankfurt.
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