O sector têxtil precisa de gente nova e a falta de engenheiros é um problema que pode condicionar o avanço do processo de modernização tecnológica. O alerta é do director-geral do Citeve, que em entrevista à revista Visão deixa claro que o sector continua a ter dificuldade em atrair novos técnicos. “Não temos jovens a quererem ser engenheiros têxteis. E mesmo os que fazem cursos de química, física ou mecânica hesitam muito em entrar neste sector. Ao contrário do que a realidade demonstra, a percepção que existe é que este é um sector chato, de baixo valor, de baixos salários, de trabalho monocórdico e repetitivo”, descreve Braz Costa.
Mesmo que a realidade mostre um sector bem mais dinâmico, inovador e liderante no que à evolução e modernidade diz respeito. “Temos, neste momento, várias linhas de investigação muito interessantes, liderando processos europeus, de desenvolvimento de fibras que se comportam como elementos electrónicos ou para tratamento de superfícies e revestimentos com essas funções”, exemplifica o responsável do Citeve, que alerta para a importância de manter o foco na investigação e inovação: “Não podemos desacelerar, porque senão vamos ficar para trás, pois todos estão á procura do seu espaço e os países emergentes têm estratégias muito bem pensadas. Há países com políticas muito activas para financiar investimento e a formação das empresas”.
A área dos têxteis técnicos ou de alta tecnicidade tem tido papel centrar na reviravolta que o sector tem experimentado, com crescimento notável, tanto ao nível de vendas como de valor. Este segmento, que exige grande incorporação de tecnologia, representa hoje já mais de um quarto do negócio do sector e apresenta um potencial de crescimento que é garantia de futuro. A própria ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal estima um crescimento na ordem dos 40% para o próximo ano. Por isso, o director-geral do Citeve acentua que “o sector precisa de pessoas completamente diferentes, com uma grande capacidade de aprender e de reproduzir o que aprende”.
“Tudo contribui para encontrar novos mercados e novas formas de fazer negócio” e “a entrada de gente nova tem muita influência, não só na nova geração de empresários, mas também na nova geração de técnicos”, reforça Braz Costa, mostrando que a rapidez e capacidade de resposta são igualmente factores críticos num mercado cada vez mais globalizado. “É preciso ter uma capacidade de entendimento dos mercados, da tecnologia, dos produtos e das tendências, para reagir e adaptar continuamente a maneira como se trabalha aquilo que o mercado pede”, conclui.
Pode ler aqui
aqui a entrevista na íntegra.
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