O Governo vai criar quatro grupos de trabalho destinados a consensualizar os programas de apoio para a Indústria 4.0, anunciou quinta-feira à noite o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, durante um jantar promovido pela associação Agavi, no restaurante Cafeína, no Porto. Os quatro grupos criados são para a Agro-Indústria (curiosamente uma parte substancial dos participantes no jantar estavam ligados a este sector), o Retalho (onde está incluída a moda) e os sectores Automóvel e do Turismo. Estas quatro áreas abrangem alguns dos sectores tradicionais da manufactura manual portuguesa, nos quais “Portugal é bom a produzir mas não sabe vender”, como salientou João Vasconcelos. De resto, a intervenção do secretário de Estado começou por abordar a nova visão para a indústria suscitada sobretudo pela Alemanha e pelos Estado Unidos e que agora é motivo de debate em todo o mundo. Classificando a Indústria 4.0 como “a quarta revolução industrial”, Vasconcelos falou da importância do comércio electrónico e dos materiais inteligentes que deram origem a avanços revolucionários em vários sectores, desde o turismo à indústria dos produtos ligados à internet. Realçou o papel das lojas digitais, o que levou “a que digitalização da economia seja já uma realidade”. Disse depois que Portugal tem de seguir o exemplo da Alemanha, França e dos EUA que desde 2012 têm já uma estratégia para a revolução 4.0. Daí que o actual governo tenha decidido lançar esse programa de apoio à Indústria 4.0, começando por criar esses quatro grupos de trabalho. João Vasconcelos manifestou confiança “nas novas empresas criadas em Portugal e na nova geração de empresários”. Mas alertou que é no digital que “o país está mais atrasado”. E, apesar de haver uma “maior qualificação das pessoas”, essa qualificação nem sempre chega aos patrões. “Esta é a primeira geração que tem mais formação do que os seus empresários”, disse Vasconcelos, falando mesmo na necessidade de criar programas de formação para estes últimos. “O que me preocupa são as gerações que não conseguimos recuperar”, sublinhou, lembrando que “o digital é bom para os países periféricos como Portugal”.

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