00/00
Direitos de autor
Paulo Melo, presidente da ATP, alertou os deputados para os problemas com que a indústria portuguesa seria confrontada se a Caixa Geral de Depósitos (CGD) fechasse a sua agência em Nova Iorque. “Tem sido avançada essa possibilidade no âmbito do processo de reestruturação da CGD. É um erro. Todos os sectores precisam de ter lá alguém não só pelos negócios que são efectuados como também por os Estados Unidos serem para Portugal um mercado alvo”, sublinhou Paulo Melo numa audição realizada na Comissão Parlamentar de Economia. Os avisos do presidente da ATP não se ficaram por aqui. Paulo Melo solicitou mesmo aos deputados para perceberem o que se estava a passar com os pedidos da Autoridade Tributária (AT) de pagamento de taxas pelos acessos das empresas às estradas nacionais. E deu o exemplo de uma empresa têxtil localizada junto à Estrada Nacional 206 que tem três acessos a essa via e recebeu uma carta da AT solicitando o pagamento anual de 55 mil euros. “É uma barbaridade. Se isto é verdade e não é nenhum lapso, estão a retirar competitividade às empresas”, sublinhou. Antes destes pedidos de esclarecimento aos parlamentares, o presidente da ATP enfatizou a necessidade de ser alterado o pagamento à cabeça do IVA dos produtos exportados para países extracomunitários, “o que obriga as empresas a recorrerem muitas vezes a financiamento e, assim, a um esforço adicional de tesouraria”. Paulo Melo alertou também para os problemas decorrentes “do custo do dinheiro e dos spreads elevados”. “O crédito tem de chegar às empresas de uma forma natural e normal. O preço do dinheiro tem que ser internacional", frisou. Falou também da elevada factura energética. “Sobretudo com as taxas fixas impostas nessa factura energética”, disse, sublinhando: “Depois falta dinheiro às empresas para investir”. Fez ainda um apelo no sentido de os feriados a meio da semana serem ajustados. E considerou mesmo que, ao serem repostos quatro feriados, foi retirada competitividade às empresas. Na mesma linha, defendeu que a lei laboral deve ser ajustada a uma nova realidade. “Não é com contratos colectivos negociados ano a ano. É preciso uma maior flexibilidade de forma a que as coisas sejam feitas a pensar no futuro. Hoje as empresas já não trabalham para o dia seguinte, já têm contratos a sete ou 10 anos”, sublinhou. Deu também conta da necessidade de apostar novamente em cursos técnicos. “Agora são as empresas que têm de dar formação”, frisou. Depois de fazer uma radiografia do sector têxtil, o director-geral da ATP, Paulo Vaz, que também foi ouvido na mesma audição parlamentar, alertou os deputados para os problemas do IVA alfandegário. Disse estar de acordo com as políticas que estimulam a competitividade, independentemente da matriz política dos governos, mas sublinhou que o discurso da reindustrialização só faz sentido se for verdadeiramente genuíno. E, para isso, as empresas precisam de ser competitivas. Em resposta a um deputado, Paulo Vaz garantiu que não há nenhuma feira internacional importante do sector têxtil em que Portugal não esteja presente.

Lista de Tags

Fique a par de todas as noticias, eventos e entrevistas.
Subscreva a Newsletter