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“É tempo de cair na realidade e mudar o rumo, até porque o  Governo tem tido como marca o pragmatismo e não a ideologia”, apelou Paulo Melo ao ministro da Economia, durante a abertura do XVIIII Fórum Téxtil que decorre este tarde no auditório do CITEVE em Famalicão.

O presidente da ATP aproveitou a presença de Manuel Caldeira Cabral para manifestar o seu espanto com a política económica seguida pelo Executivo de ao privilegiar o consumo interno, “que também quer dizer as importações”, penalizar o crescimento económico.

Eis as cinco frases mais significativas do discurso de Paulo Melo no Fórum que tem como tema  “Novos modelos de negócio para a fileira têxtil e de moda”:

Sistema Moda movimenta 18 mil milhões

"O Sistema Moda português, incluindo serviços, distribuição e retalho, vale 6% do PIB, movimentando mais de 18 mil milhões de euros e dando emprego a mais de 320 mil pessoas. São números que impressionam e não se podem ignorar. É mesmo a realidade"

Made in Portugal

"Falar da indústria têxtil, vestuário e moda, hoje, em Portugal, ao contrário de outros tempos, é invocar uma atividade económica moderna, inovadora, tecnológica, dinâmica e internacionalizada, que compete no valor e não no preço, que vende para mais de 180 países no mundo e que se orgulha de colocar a etiqueta “Made in Portugal” em tudo que realiza, por que lha solicitam e se lha solicitam é porque acrescenta valor,  por isso, é uma mais valia"

Constrangimentos novos ameaçam competitividade

"Quando a ATP desenhou um plano estratégico para o sector, com vigência até 2020, considerou um conjunto de eixos de intervenção, precisamente nas áreas que mais sensíveis são à competitividade das empresas, as quais, em vez de progredirem no bom sentido, inverteram a tendência e se constituíram como problemas particularmente difíceis para ultrapassar. Falo das reformas estruturais oportunamente lançadas e que, infelizmente, vemos congeladas, quando não mesmo revertidas, em concreto no domínio jurídico-laboral, em que, por exemplo, a simples reposição de quatro feriados pode determinar a perda de 200 milhões de euros de exportação deste sector, para as empresas e para o país, ou o aumento do salário mínimo, muito para lá do que as condições da economia permitem, pois implica aumentar mais de 5% não apenas as categorias mais baixas, mas todas as restantes em cadeia"

Espanto com a política do Governo

"Senhor Ministro, esta é uma indústria exportadora, cujo contributo para as contas externas do país é indiscutível, razão pela qual nos permitimos espantar com a política económica seguida pelo Executivo, privilegiando o consumo interno, que também quer dizer as importações, penalizando, em consequência, o crescimento económico. É tempo de cair na realidade e mudar o rumo, até porque o  Governo tem tido como marca o pragmatismo e não a ideologia"

Reduzir o peso do Estado

"Não vimos pedir ao Estado protecionismo ou subsídios, pois essa retórica faz parte de um passado que hoje seria anacrónico. Vimos sim pedir que desburocratize, que reforme com celeridade o sistema financeiro, que actue na justiça, para que esta seja garante dos que cumprem e não auxiliadora dos que prevaricam, que discrimine positivamente, ao nível fiscal, quem cria riqueza em concorrência aberta com o mundo e quem se atreve a investir, que flexibilize o quadro jurídico-laboral, pois tão ou mais importante do que proteger quem tem emprego deverá ser ajudar os que procuram trabalhar, e, finalmente, que reduza o peso do Estado, o seu gasto asfixiante e que compromete o nosso futuro coletivo, pelo peso do défice e da dívida"

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