Paula Rego fez uma nova incursão experimental na arte têxtil e o resultado está desde hoje (e até 12 de novembro) exposto na galeria Marlborough, em Londres. Trata-se de uma tapeçaria de grandes dimensões (2m40 de altura e 1m19 de comprimento), intitulada “A filha da águia”, inspirada num conto popular do século XVI.
"A filha da águia" não é a primeira obra têxtil de Paula Rego, mas é a primeira que mandou executar a partir de uma pintura feita por si. “Já fiz muitas obras em suporte têxtil mas esta é uma experiência nova, porque nunca tinha mandado tecer nenhuma”, explica artista, de 81 anos, que vive em Londres, para onde se mudou pela primeira vez aos 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.
A tapeçaria foi produzida em teares automáticos na Bélgica a partir de um ficheiro digital criado em Madrid, Espanha, pela Factum Arte, responsável pelo design e adaptação ao formato têxtil a partir da pintura original da pintora, que há seis anos foi distinguida com o grau de Oficial da Ordem do Império Britânico, pela rainha Isabel II.
O processo é bastante diferente de tudo o que a artista tinha feito anteriormente, como a tapeçaria Alcácer-Quibir, em 1966. "Eu criei muitas tapeçarias, que eu própria bordei com tecidos aplicados, incluindo uma tão grande que tive de pendurá-la à volta toda do quarto das crianças no Estoril. Era tão grande que pedi aos convidados que visitavam a casa para me ajudarem", contou a artista.
