O Governo e particularmente o ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, estão atentos e mostram-se recetivos às propostas que a fileira têxtil, por via da Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal (ATP), tem vindo a avançar quer no combate às consequências económicas da pandemia, quer no processo de desenvolvimento de um cluster europeu do sector. É esta uma das principais conclusões a tirar do Simpósio Têxtil realizado estar terça-feira.
A iniciativa anual da ATP contou com a intervenção final de Siza Vieira, na qual o ministro disse que o Governo está atento à resposta necessária ao fim das moratórias – uma questão levantada na intervenção de Mário Jorge Machado, presidente da ATP – que deverá passar pela criação de novos apoios diretos às empresas, em princípio em termos das necessidades de tesouraria.
Siza Vieira disse ainda estar alinhado com as iniciativas europeias do sector protagonizadas pela Euratex – de cujos órgãos dirigentes o presidente da ATP faz parte – no sentido de criar condições para que o sector seja, de forma eficaz, um dos 15 clusters da UE que formam o grosso da estratégia de reindustrialização do espaço comum, conjugada com novas disposições para a formação de um bloco comercial mais forte, que por um lado tenha autonomia face a fornecedores e, por outro, aumente a capacidade exportadora.
Em termos de prioridades do sector, é de realçar a apresentação da diretora-executiva da ATP, Ana Paula Dinis, expondo os cenários de desenvolvimento do setor para a próxima década com base no aumento da rendibilidade dos negócios e a produtividade, acompanhadas da diversificação da oferta e da implementação de modelos de negócio mais competitivos. Num cenário ideal, a ATP aponta para 10 milhões de euros de volume de negócios do sector em 2030.
No quadro da Visão Prospetiva e Estratégias para a ITV Nacional para a esta década, e apesar do quadro de dúvidas e incertezas que ainda caracterizam a situação, o estudo aponta inequivocamente para um cenário favorável, que importa agora rodear das medidas certas.
Para isso, recordou Pedro Siza Vieira, os têxteis nacionais podem contar com o PRR, com o Quadro Financeiro Pluri-anual e com a intervenção – que se espera rápida e eficaz – do novo Banco de Fomento.
Como sempre, o Simpósio contou também com um espaço de debate muito vivo, desta vez protagonizado por Luís Todo-Bom (gestor, docente universitário e ex-presidente da PT), Braz Costa (diretor-geral do CITEVE) e pelo empresário Manuel Gonçalves (TMG). A cooperação entre as empresas, alicerçada numa lógica de cluster e com vista à consolidação de um modelo sustentável e inovador, essencial para competitividade da ITV portuguesa, surge como a principal conclusão.
