Liliana Kakakis e Fernando Miller já conhecem bem os cantos da Intergift, onde já expõem há vários anos. Há dois anos apostaram na sua marca, DolceCasa, por ter um nome mais apelativo – porque a empresa, a Reinatex, já vai para os 24 anos de vida e pretende continuar a envelhecer em bom estilo, de preferência viajando pelo mundo fora, com especial enfoque pelos países nórdicos.
A empresa de têxteis lar em que os ex-libris são agora os edredões, as almofadas e as mantas, iniciou-se longe dos artigos de casa: no início, só faziam chinelos e pequenas bolsas, todas à base das rendas Renascença, pelas quais se apaixonaram no Brasil e que foram a identidade da marca até meados de 2011.
Esse foi o ano em que evoluíram para outro tipo de produtos, como as almofadas, colchas, edredões, cortinas e alguns atoalhados, que são agora o core essencial do negócio. Passaram das quatro costureiras iniciais para 12 permanentes, que confeccionam todo o tipo de produtos. Os tecidos, malhas e acessórios são comprados fora, mas todos os acabamentos são feitos entre as quatro paredes da pequena fábrica em Vale de Cambra, muito ao gosto de Liliana.
A divisão não é oficial, mas notória: ele é quem toma conta da parte administrativa da empresa, ela é quem olha pelo design. Numa visita pelo stand foi Liliana, com um olho nos seus artigos e outro por quem passava, quem mostrou as novidades, entre os veludos, as cores pastel e os artigos 100% algodão. Porque os bordados que ajudaram a fundar a fábrica, esses, já pertencem maioritamente ao passado. “Os bordados estão a baixar muito. Os mais novos já não os querem para nada”, dizem. “Para além do mais, comprava-mo-los no Vietname, onde fazíamos encomendas enormes e elas chegavam cá em pouco tempo. Agora já não há mão-de-obra, ninguém quer estar ali a fazer aquele trabalho minucioso”, acrescentam.
Fecharam 2015 com uma facturação de cerca de 600 mil euros e a projecção para a último ano é que os valores sejam ainda mais altos, muito por culpa da internacionalização. Porque ainda que Portugal continue a deter sensivelmente metade das vendas da Dolcecasa, Espanha é um dos mercados cruciais da empresa e onde querem continuar a investir. “A nossa maior dificuldade em Espanha é que não encontrarmos agentes para vender, só através das feiras como esta e da loja online. Por isso é que Portugal continua a ser o nosso maior mercado: estamos lá, é mais fácil”, diz Fernando.
França, dizem, é um mercado onde também já estão presentes, mas o sonho agora voa para mais longe. Já fizeram uma feira em Estocolmo e pretendem continuar, mas aperceberam-se de que “é um mercado muito fechado e difícil de entrar; eles só recorrem a fornecedores exteriores se não estiverem satisfeitos com o que têm lá dentro”, afirma Verónica. “O feedback é lento, mas é sem dúvida algo de que gostávamos muito”, conclui.
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