Paulo Melo desafia Governo a cair na real e mudar de rumo, apostando nas exportações

Paulo Melo aproveitou a presença do ministro da Economia no 18º Fórum Têxtil –  que reuniu cerca de 300 pessoas esta 4ª feira no auditório do CITEVE, em Famalicão –  para desafiar o Governo a cair na realidade e mudar o rumo de uma política que aposta no consumo interno como locomotiva para o crescimento da economia.

“Senhor Ministro, esta é uma indústria exportadora, cujo contributo para as contas externas do país é indiscutível, razão pela qual nos permitimos espantar com a política económica seguida pelo Executivo, privilegiando o consumo interno, que também quer dizer as importações, penalizando, em consequência, o crescimento económico. É tempo de cair na realidade e mudar o rumo, até porque o  Governo tem tido como marca o pragmatismo e não a ideologia”, afirmou o presidente da ATP.

Manuel Caldeira Cabral evitou responder directamente ao desafio feito por Paulo Melo, optando por se desdobrar em elogios à ITV:  “A ITV portuguesa é um setor tradicional que abraça bem a tecnologia. Pode não conseguir competir em preço com alguns concorrentes, mas bate-os claramente em qualidade e capacidade de resposta.

O ministro reafirmou o compromisso do Governo em cumprir as metas a que o país se comprometeu com Bruxelas. “O Orçamento para 2017 é um exercício complexo, que reflecte o empenho do Governo no processo de consolidação das finanças públicas e da redução do endividamento – mas não esquece as empresas. Não há espaço para reduzir os impostos de forma generalizada a todas as empresas. Mas estão previstos apoios às empresas que precisam de se recapitalizar, investem em eficiência energética e apostam na inovação”, prometeu Caldeira Cabral, que encerrou a intervenção dirigindo-se aso empresários com um animador “Contem com o Ministério da Economia”.

Os novos modelos de negócio para a fileira têxtil e moda, foram debatidos por um painel moderado pelo jornalista Nicolau Santos, em que os protagonistas Ricardo Conceição (Atelier des Créateurs), Patrícia Paulos (Sonae), Núria Ramirez (H&M), Helder Rosendo (P&R Têxteis) e Marco Almeida (Parfois) falaram da experiência das respectivas empresas em áreas como a Sustentabilidade, Digital, Customização, Diferenciação Tecnológica e Logística Avançada, que abarcam precisamente esses novos modelos de negócio.

Comentando o debate, Daniel Bessa apelou os empresários do sector têxtil para encontrarem novas soluções organizativas. “É preciso gente com outra idade, outra formação, outra mentalidade e outros modos de vida”.

Fazendo o balanço da evolução da ITV nos últimos 20 anos (ou seja desde a realização do 1º Fórum Têxtil, em 1996), Paulo Vaz, diretor geral da ATP, apresentou uma mão cheia de boas notícias, sendo que uma delas foi a evolução favorável do saldo da balança comercial, que no final do ano passado foi de 981 milhões de erros e este ano ultrapassará de forma clara a fasquia dos mil milhões, situando-se nos 1,1 mil milhões de euros.

Paulo Portas, o keynote speaker do Fórum, criticou severamente a atitude da União Europeia face à globalização (“Dá a ideia que a Europa ainda não se apercebeu que o mundo é redondo”) e salientou a importância crucial das exportações para a recuperação económica do nosso pais:

“Durante os anos do ajustamento a única boa noticia vinha das exportações, que passaram de 29% a 42% do PIB. Com a sua atitude de ir lá para fora, procurar mercados não tradicionais, as empresas salvaram o país. E, agora que os anos de chumbo terminaram, as exportações continuam a ser um sinal positivo, o único fator de esperança no crescimento da nossa economia. E o setor têxtil deu cartas neste crescimento das exportações“.