O brilho da techmoda da ESAD na passarela da Techtextil

Há uma francesa, uma italiana, uma alemã e uma portuguesa. Até parece uma daquelas anedotas, mas não é. Estamos a falar de quatro fashion schools – a ESMOD Paris, a Accademia Italiana (Florença), a alemã Hochschule Trier e a portuguesa ESAD – convidadas pela organização da Techtextil a produzirem modelos para um desfile onde moda e tecnologia andam de mãos dadas.

“Foi um enorme desafio, não só para nós mas também para as empresas que colaboraram connosco. Só por isso, já valeu a pena. Mas também é muito gratificante estarmos numa feira com dezenas de milhar de visitantes”, sintetiza Maria Gambina, a responsável pelo curso de Design de Moda da ESAD que durante um ano dirigiu o trabalho das quatro alunas finalistas – que no entretanto deixaram se o ser, porque acabaram o curso :-).

Os sete coordenados desenhados pelas quatro jovens estilistas da ESAD  – Joana Rita Mendes (a única que não está em Frankfurt), Ana Eusébio, Mariana Campinho e Mariana Almeida – correspondem às três categorias pedidas pela organização: smart technologies, creative engineering e textil effects.

Usando linhas da Lipaco, etiquetas da Heliotextil, malhas e acabamentos da Tintex, meias da Faria da Costa ou a expertise de muitos anos a fornecer a indústria automóvel da ERT, bem como os avanços tecnológicos de todas elas, os coordenados da ESAD brilham desde ontem na passarela instalada no foyer dos halls 5.5/6.1 da Messe Frankfurt, onde diariamente, às 11h00 e 15h00, se realiza o desfile Innovative Apparel Show.

E quando usamos o verbo brilhar, estamos a decliná-los não só no sentido figurado  – Paulo Gomes, um veterano nestas coisas da moda, presente como expositor na Techtextil com a sua empresa Manifesto, não tem dúvidas em afirmar que as peças made in ESAD se destacaram claramente pela positiva relativamente às das outras escolas  – mas também no literal, como é, por exemplo, o caso do coordenado Manifest, de Mariana Campinho, inspirado nos desenhos das crianças da faixa de Gaza e que leva inscrita a frase Help Us que brilha na penumbra.

Sexta feira, no último dia da Techtextil/Texprocess, são apurados os votos do público e é muito bem possível que surjam mais boas notícias sobre esta participação da ESAD num live fashion show onde se cruzam moda e tecnologia – e as designers portuguesas apresentaram peças que comunicam com telemóveis por bluetooth, se iluminam, mudam de cor e fazem muitas outras habilidades (só lhes falta mesmo falarem, mas isso também não deve andar longe…), em tecidos e malhas inovadores, respiráveis, com tratamentos antibacterianos, impermeáveis, climatizados, etc, etc, etc..

No dia a seguir, a vida continua para estas jovens que andam na casa dos 22 anos. Mariana Almeida  (que na qualidade de vencedora do PFN 2016 desfilou no Bloom do Portugal Fashion) vai fazer um curso intensivo de Modelação no Modatex que a vai manter ocupada durante o próximo ano e meio. Apaixonada por lingerie dos anos 20 (o tema para o seu trabalho de final de curso), Mariana Campinho prepara-se para fazer um curso de Lingerie e outro de Calçado na London School of Fashion. E Ana Eusébio já começou a trabalhar na Tintex, com  Dolores Gouveia. Life goes on!

 Na foto, da esquerda para a direita: Ana Eusébio, Mariana Campinho, Mariana Almeida e Maria Gambina.