As reconhecidas competências técnicas e de inovação do subsetor dos têxteis e plásticos que fornece a indústria automóvel qualificam-no para responder ao futuro que se aproxima, com o fabrico de viaturas tendencialmente autónomas e 100% eléctricas, mas Portugal tem ainda um problema… de energia. Entre outros.
Os custos com energia e a qualidade no seu fornecimento foi, precisamente, um dos estrangulamentos competitivos apontados pelas empresas num encontro promovido pela AFIA - Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, que ontem teve lugar na AEP. “O excessivo preço da energia afeta a estrutura de custos das empresas e, em muitos casos, a qualidade do fornecimento da energia eléctrica provoca perdas e desperdícios”, é uma das conclusões da reunião liderada por Pedro Carvalho, Tomás Moreira e Jorge Castro (na foto), representantes da AFIA.
A par do crescimento, da aposta em tecnologias inovadoras, da boa qualificação e capacidade de adaptação da mão-de-obra, e da cooperação entre empresas, universidades e centros de investigação e desenvolvimento, os empresários apontam também para um conjunto de fatores que os preocupam.
“Os níveis da fiscalidade, a previsibilidade das políticas públicas, a instabilidade da regulamentação, assim como uma justiça que não funciona têm sido em Portugal fatores muito críticos, que afetam negativamente a confiança e o investimento”, concluíram, notando também que o setor continua “demasiado dependente dos transportes rodoviários e dos seus custos crescentes, que a penalizam duplamente - na importação e na exportação”.
Outra das questões decisivas passa pela regulamentação do trabalho. “A flexibilidade laboral continua a ser um fator preocupante para o setor automóvel, sendo necessário otimizar na legislação laboral todos os instrumentos que permitam, em tempo útil e sem custos extra, responder às flutuações de atividades imprevistas”.
As empresas frisam, que “a precariedade laboral não é uma escolha dos empresários mas sim uma consequência dum mundo precário em rápida mutação, duma economia globalizada extremamente concorrencial”.
O encontro reuniu mais de 80 representantes do subsetor de Interiores (Têxteis e Plásticos), que representa mais de 25 % do peso total da indústria de componentes em Portugal. Criar uma visão e uma estratégia comuns é o objetivo destes encontros, que se vão repetir. “São fundamentais para que de uma forma organizada e sintonizada se consiga tornar o setor dos componentes automóveis mais competitivo e apelativo”, concluíram.
