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A indústria têxtil tem priorizado a sustentabilidade no seu planeamento estratégico, em linha com movimentos de consciencialização ambiental e com a preocupação social relativamente ao seu impacto ambiental, pois utiliza materiais não biodegradáveis obtidos de fontes não renováveis, que contribuem fortemente para a poluição ambiental em toda a cadeia de produção.
A indústria têxtil tem priorizado a sustentabilidade no seu planeamento estratégico, em linha com movimentos de consciencialização ambiental e com a preocupação social relativamente ao seu impacto ambiental, pois utiliza materiais não biodegradáveis obtidos de fontes não renováveis, que contribuem fortemente para a poluição ambiental em toda a cadeia de produção. Como alternativa, estão a ser promovidos e desenvolvidos consideráveis esforços para a incorporação de biopolímeros biodegradáveis nos materiais têxteis.

Neste contexto, e no quadro do projeto be@t - Bioeconomia Têxtil, coordenado pelo CITEVE, pretende-se, no âmbito da Medida PI-I3-M1, demonstrar o conceito tecnológico de implementação de uma plataforma do açúcar, partindo exclusivamente de biomassas residuais de base florestal. Esta Medida é liderada pelo LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia, que é responsável pela desconstrução e hidrólise enzimática de biomassa florestal residual, contando com o apoio do RAIZ - Instituto de investigação da Floresta e do Papel, Universidade de Aveiro, NOVA.ID.FCT - Associação para a Inovação e Desenvolvimento da FCT e Universidade do Minho.

O objetivo será a utilização de biomassa florestal residual para a síntese de biomateriais e bioprodutos para a indústria têxtil, numa perspetiva de economia circular. As atividades de I&D nesta medida visam, assim, a obtenção de soluções concentradas de açúcares, bem como de celulolenhina (sólido remanescente), para utilização em diferentes processos fermentativos, como por exemplo a produção de biopolímeros, incluindo polihidroxialcanoatos (PHA) e celulose bacteriana (CB) e seus biocompósitos, para aplicações técnicas na indústria têxtil. 

Entre a biomassa florestal residual, a casca de eucalipto, que possui um elevado teor em celulose e hemicelulose (55-60%) e lenhina (cerca de 20%), está já a ser explorada. O processo de hidrólise desta biomassa para a obtenção de soluções concentradas de açúcar é efetuado por via enzimática, dada a elevada especificidade, ausência de formação de produtos de degradação, consumo reduzido de energia e natureza não-corrosiva e não-poluente. No projeto be@t, é utilizada a tecnologia STEX® para melhorar a digestibilidade enzimática da celulose, que é ambientalmente mais sustentável que as tecnologias convencionais, evitando o uso de ácidos/solventes orgânicos, e economicamente mais vantajosa. 

Os biopolímeros serão produzidos por bactérias utilizando as soluções concentradas de açúcares derivados da biomassa florestal como substrato. Os PHAs são bioplásticos biodegradáveis, cujas propriedades podem ser definidas pela seleção das bactérias, das matérias-primas e das condições de cultivo. Estes podem ser combinados com outros materiais, como a CB, melhorando a sua processabilidade no fabrico de fibras aplicadas na indústria têxtil. A CB é uma celulose de elevada pureza e cristalinidade, com morfologia nanofibrilar. Esta combinação origina biocompósitos com melhores propriedades mecânicas, que podem ser processados em fibras. A potencialidade dos biopolímeros será também avaliada ao nível da produção de revestimentos para semi-produtos têxteis e/ou de novos materiais de injeção em mistura com fibras de base natural micronizadas.

O trabalho desenvolvido à data demonstra a viabilidade técnica de implementação de um conceito de biorefinaria baseado na utilização de casca de eucalipto como matéria-prima, com o potencial de obtenção de biomateriais para aplicações técnicas na indústria têxtil. Toda a tecnologia é ambientalmente sustentável, promovendo a bioeconomia circular na fileira florestal.
O produto Neste contexto, e no quadro do projeto be@t - Bioeconomia Têxtil, coordenado pelo CITEVE, pretende-se, no âmbito da Medida PI-I3-M1, demonstrar o conceito tecnológico de implementação de uma plataforma do açúcar, partindo exclusivamente de biomassas residuais de base florestal.
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