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Aos olhos de um leigo é apenas mais uma coleção de vestuário para desporto ou trabalho, que tem também componentes reflectoras, mas para a indústria têxtil é um inovador processo de criar têxteis responsivos à luz. O que antigamente era apenas possível pela tinturaria, pode ser agora incorporado logo na produção de fibras, ou já na fase final, através de um processo de coating. Duas inovações que abrem um leque de possibilidades às empresas têxteis e representam uma poupança de milhares de litros de água.
É um dos exemplos de novos materiais concebidos no âmbito do projeto TexBoost. Nesta unidade de investigação, o CITEVE e o CeNTI juntaram forças com a Pafil, Fitexar, TAF, Tinamar e A.Sampaio para encontrar uma nova forma de criar têxteis de alta visibilidade, característica imprescindível para dois segmentos estratégicos  da têxtil nacional: o vestuário de trabalho e o de desporto. “O workwear é algo já com normas definidas, mas nos últimos anos assistimos a um crescimento na procura por estes materiais no sportswear. Há cada vez mais pessoas a fazer desportos de outdoor à noite e há questões de segurança que se levantam em termos de visibilidade”, explica João Rui Pereira, financial manager da Pafil.

Ao longo de três anos e meio de investigação, a equipa conseguiu criar novas fibras refletoras e um processo de coating, para além de desenhar novas arquiteturas de vestuário, que dão maior relevo aos elementos de alta visibilidade. “A inovação está na obtenção da funcionalização em diferentes fases do processo. Posso decidir colocar o pigmento logo na fibra ou apenas na reta final do processo, o que dá maior liberdade aos agentes de mercado no que toca ao desenvolvimento do produto. E torna-se mais sustentável, porque o coating consome menos água que o tingimento”, explica Gilda Santos, investigadora do CITEVE.

Para obter os dois novos processos, foram utilizados pigmentos fluorescentes em amarelo e magenta e fosforescentes, aplicados sobre a Poliamida ou o PBT (Polibutileno Tereftalato). Os materiais têxteis passaram por testes de solidez à lavagem e exposição à luz, tendo sido desenhada a primeira coleção para uso não profissional. “Já existem no mercado soluções, mas normalmente são produtos específicos, como coletes refletores. Aqui desconstruímos essa ideia, criando peças que têm essa alta visibilidade mas que podem ser utilizadas ao longo do dia de forma normal. São peças confortáveis, ergonómicas e com um design apelativo”, explica João Rui Pereira.

Para além do showcase final do TexBoost, os modelos concebidos passaram já também pela ISPO Digital e estão agora a ser apresentados a clientes. “No setor do desporto já temos pedidos de marcas que querem experimentar”, adianta o responsável da Pafil, enquanto para o workwear estão ainda a ser realizados os testes finais. Mesmo com o TexBoost finalizado, o consórcio de empresas continua a fazer desenvolvimentos, com o objetivo de obter a certificação para a ISO 20471. “Estamos muito perto de cumprir a norma de alta visibilidade em vestuário de trabalho, e aí poderemos certificar peças para bombeiros, polícias ou para qualquer trabalhador. A nossa estratégia será aliar esta tecnologia a melhorias no design e no fitting”, esclarece João Rui Pereira.
O produto Novos materiais responsivos à luz
Desenvolvido no âmbito do projecto TexBoost por um consórcio composto pelas empresas Pafil, Fitexar, TAF, Tinamar e A.Sampaio em parceria com o CITEVE e CeNTI
O que é? Dois novos processos capazes de criar têxteis responsivos à luz, através da incorporação de pigmentos fluorescentos ou fosforescentes nas próprias fibras ou num processo de coating final Para que serve? São reflectores e dotados de alta visibilidade, com grande valor acrescentado para segmentos de moda como workwear e sportswear Estado do projeto? Em fase de testes e desenvolvimento nas empresas envolvidas mas já presentado em Dezembro no âmbito do TexBoost

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