ATPA queda de 7% nas exportações têxteis e de vestuário para os Estados Unidos, registada nos primeiros nove meses do ano, não é olhada como um sinal alarmante por Paulo Vaz, que em declarações ao Jornal de Negócios desdramatiza este recuo nas vendas para o quinto maior mercado da ITV (e o primeiro não comunitário), bem como as implicações no comércio internacional da eleição de Donald Trump.
"Não se devem fazer análises a quente. Há que aguardar os sinais e não ficarmos presos à retórica eleitoral porque a realidade é outra e vai impor-se. Os Estados Unidos são uma democracia sólida, antiga, com instituições fortes e bem definidas. Há que olhar para isto com alguma distância, serenidade e acreditar que as instituições se sobrepõem aos estilos pessoais", comenta.
As oscilações nas taxas de câmbio dólar/euro bem como na gestão das expectativas quanto ao desfecho das negociações da parceria transatlântica são algumas das explicações avançadas pelo diretor-geral da ATP para a quebra nas exportações da ITV para os EUA.
"Houve uma altura em que as exportações dispararam pela convicção de que se podia chegar rapidamente a um acordo comercial da União Europeia com os EUA, ainda no mandato de Obama. Então, muitas empresas começaram logo a comprar a Portugal para que, quando acontecesse a liberalização plena do comércio entre os dois blocos, já estarem com um pé nesse mercado”, afirma Paulo Vaz.
"Eles pensaram: vamos começar a colocar um pé nos fornecedores europeus porque vamos ter vantagens. Mas sabemos que, ao longo dos últimos meses, muito por culpa da Europa, esta situação esfriou-se. Os clientes americanos tanto trabalham numa lógica de longo prazo e estratégica, como rapidamente invertem essas estratégias quando as circunstâncias mudam", detalha Paulo Vaz. Mudaram e as compras ficaram congeladas.


