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Um conjunto de 70 exemplares raros da produção têxtil timorense denominada 'tais', é exibido no Museu do Oriente, em Lisboa, até 15 de março. A exposição reúne testemunhos de um tipo de produção artesanal feita por mulheres em teares tradicionais de madeira. A maioria das peças pertence à coleção de um dos maiores especialistas na área, Peter ten Hoopen, e algumas são consideradas bastante raras, pela técnica e padrões utilizados, bem como pela sua proveniência de Timor-Leste, indica o museu. Peter ten Hoopen começou a interessar-se por esta arte timorense no final dos anos 1970, mas só a partir de 2010 é que decidiu colecioná-la e estudá-la ativamente. “Quando lidamos com uma cultura que está a desaparecer rapidamente, mais do que colecionar peças emblemáticas, importa preservar o conhecimento nelas contido. Se a transferência tradicional de conhecimentos saltar uma geração, esse conhecimento perde-se para sempre. É por isso que vejo esta coleção como um projeto de património cultural, e não apenas um somatório de objetos”, explica o colecionador, num texto citado pelo museu. Grande parte destes panos, tecidos pelas mulheres de uma linhagem, era guardado, sendo considerado património dessa linhagem e necessário para as trocas rituais em cerimónias de aliança, casamento, nascimento e morte. O longo período de agitação política vivido por toda a ilha, a partir da década de 70 do século XX, as alterações do estilo de vida das populações e o desinteresse a que este artigo de vestuário foi entretanto votado, por se considerar já não estar ‘na moda’, fez com que grande parte do seu património têxtil fosse destruído.

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